Monday, January 22, 2007

Çatalhoyuk na Web


Depois de minhas recentes leituras sobre o Neolítico, fiz alguns levantamentos na internet sobre sitios arqueológicos daquele período histórico. Descobri que há bastante coisa sobre Çatalhoyuk, a primeira cidade construída por nossa espécie. E mais: há um material feito especialmente para educação. Trata-se de uma publicação web com informações e atividades desenvolvidos para jovens com escolaridade equivalente à 7ª série do ensino fundamental: Mysteries of Çatalhoyuk. Tal publicação é uma inciativa do Science Museum of Minnesota e faz parte de uma coleção de atividades científico-educacionais que podem ser encontradas no site daquela institução.
Pena que Mysteries of Çatalhoyuk seja em inglês. De qualquer forma, vale a pena dar uma olhada no material para ver algumas possibilidades interessantes de ensino e aprendizagem de história a partir de pesquisas arqueológica importantes. O material publicado pelo museu tem um planejamento de ensino (instructional design) interessante. Acho que algumas atividades, apesar de prováveis dificuldades linguísticas, poderiam ser trabalhadas nas escolas.

Saturday, January 20, 2007

Vacina contra arrogância informacional

Tomei mais uma dose de vacina contra a arrogância informacional. Acabo de ler Inside The Neolithic Mind, obra de David Lewis-Willians e David Pearce. Eventuais leitores devem estar perguntando: o que é arrogância informacional? Explico-me. Volta e meia alguém diz: "nos últimos X anos produziu-se mais conhecimento que em toda a história prévia da humanidade". Alguns anos atrás, o X de tal afirmação era igual a duas décadas. Hoje tal X tem o valor de cinco ou menos anos. Pura bobagem! Essa afirmação descabida confunde capacidade de produzir (e reproduzir) informação com capacidade de gerar saberes originais e significativos. Ela equipara a invenção de um alfabeto a qualquer hipótese irrelevante supostamente comprovada numa tese de doutorado numa universidade medíocre. Inside The Neolithic Mind procura esclarecer os significados de representações religioso-cosmológicas da era neolítica no Oriente Médio e na Europa Mediterrânea. É um mergulho de profundidade nos mares de evidências arqueológicas de sítios como Çatalhoyuk (uma das primeiras cidades do mundo) e Bru na Boinne (um dos conjuntos mais impressionantes de monumentos megalíticos da Europa). A obra é um bom complemento para o indispensável After The Ice, livro de Steven Mithen que procura traçar um panorama da aventura humana de 20.000 a 5.000 AC. Ao ler obras como as citadas, a gente desenvolve profunda admiração pela capacidade inventiva de nossa espécie. Domesticar animais e plantas, desenvolver métodos para converter cereais em itens da gastronomia humana, construir representações que davam sentido a percepções do universo etc. foram façanhas dos grupos humanos que viveram nos quinze mil anos que precedem os inícios daquilo que costumamos chamar de civilização. Entender e admirar os feitos de nossos ancestrais é certamente uma providência para que coloquemos nossa tecnologia e ciência dentro de uma perspectiva histórica rigorosa. Caso contrário praticaremos uma arrogância informacional cuja única justificativa é o analfabetismo em História.

Thursday, January 18, 2007

Educação: demitir "velhos" para inovar (3)


O episódio que narrei em 20 de dezembro último é um exemplo da ausência de atenção para um fenômeno crescente que, sem dúvida, vai mudar radicalmente a vida em sociedade: o envelhecimento acentuado da população. Em muitas partes do mundo o grupo de pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos já é igual ou está próxima a um quinto do total dos cidadãos. As consequências de tal fenômeno no plano do trabalho e da educação ainda não estão sendo consideradas com atenção por pesquisadores, governos e sociedade. Mas já há algum esforço no sentido de entender o que está acontecendo. Em 1997, O ERIC -Education Resources Information Center publicou um resumo sobre a matéria, preparado por Susane Imel. Traduzi o trabalho da professora Imel para o português e divulguei-o com a seguinte mensagem:

Pouca ou nenhuma atenção é dada à demografia em processos de mudanças organizacionais. Fica parecendo que as novas configurações dos grupos etários não faz parte do contexto. As análises de tendências aparentemente desconhecem que a idade da força de trabalho está sofrendo alterações significativas: proporcionalmente o número de jovens trabalhadores tende a diminuir e o número de trabalhadores mais velhos tende a crescer. Ao que tudo indica, as estruturas de emprego e trabalho, dadas as tendências demográficas cujos efeitos já começam a ser sentidos, deverão mudar substancialmente para acomodar as novas configurações das faixas etárias da população economicamente ativa.

Este tema, pouco considerado nas projeções que se fazem quanto ao futuro do trabalho, mereceu um levantamento do “estado de arte” por parte da pesquisadora Susan Imel. Tal levantamento faz parte do acervo da Clearinghouse on Adult, Career and Vocational Education, o centro de educação de adultos do serviço americano de documentação sobre educação (ERIC).

Não há aqui espaço para mais comentar o levantamento bibliográfico feito por Susane Imel. Se alguém quiser cópia da tradução que cometi em 1997, entre em contato em jarbas@sdsualumni.org .

Tuesday, January 16, 2007

Educação: demitir "velhos" para inovar (2)

Pretendia considerar mais imediatamente outros aspectos relacionados com o episódio de dispensa de "velhos" educadores em nome da inovação. Mas resolvi deixar novas considerações para mais tarde. Motivo: comentários de duas amigas blogueiras que indicaram o potencial de discussão que minha mensagem poderia ter. Um dos comentários foi o da Miriam Salles que repercutiu meu post no blog dela. Outro comentário foi o da Carmé Barba que traduziu o meu texto para o catalão e o colocou como tema do mês numa "bitacora" coletiva. Ao perceber a possibilidade de realizar uma boa conversa sobre certos rumos da tecnologia educacional a partir do mencionado episódio, decidi dar um tempo, convocar alguns educadores amigos, e aguardar mais comentários. Objetivo: afinar minha viola para a animação futura de um fórum dedicado à próxima Jornada Catarinense de Tecnologia Educaciohnal. Em outras palavras, estou utilizando a oportunidade para descobrir modos de propor uma conversa produtiva sobre usos das TIC no espaço educacional. Enquanto isso, as considerações que eu havia planejado vão ficar na gaveta.

Friday, December 22, 2006

Estado sem Justiça = Crime Organizado


Os jornais de hoje anunciam que a comissão de ética (sic) da Câmara encerrou o ano com gigantesca pizza. Os mais de setenta sanguessugas podem continuar a trambicar no congresso nacional sem culpa e sem punição. Eu já tinha até esquecido da notícia. Mas acabei dela me lembrando quando vi uma citação do grande Santo Agostinho na biografia do bispo de Hipona escrita por Garry Wills. Tento aqui uma tradução da observação de Agostinho:

O que é um regime político, quando carente de justiça, senão crime organizado?

Wednesday, December 20, 2006

Educação: demitir "velhos" para inovar (1)

Semana passada, uma escola católica tradicional aqui de São Paulo demitiu uma professora de cinquenta e poucos anos. Na entrevista de desligamento, a coordenadora pedagógica informou que a instituição pretende substituir os professores mais idosos por jovens, preferentemente homens. A mencionada gestora educacional, de sessenta e poucos anos, argumentou que a escola entende que os jovens professores, familiarizados com as mídias modernas, serão uma alavanca para o uso de novas tecnologias na escola. O episódio merece diversos comentários. Registro aqui apenas um deles, prometendo voltar ao assunto em outras postagens.
Quem entende que tecnologia educacional é uma função da idade dos professores está inteiramente equivocado. Esse modo de pensar teria afastado do cenário educacional, há muitos anos, a mais importante criadora de soluções de tecnologia educacional em nosso país, recentemente premiada pela UNESCO, a professora Lea Fagundes. A esperança de que a geração acostumada com jogos eletrônicos, Okurt, blogs etc.vá produzir projetos parecidos ou melhores que os da Léa é resultado de falta de visão do que é tecnologia educacional. O domínio das ferramentas é razão necessária para usos educacionais dos novos meios. Mas isso não basta. Importa muito mais a razão suficiente: dominio de saberes educacionais. Gente que domina os modernos artefatos de comunicação, se pouco ou nada souber de educação, produzirá apenas soluções medíocres em termos de ensino e aprendizagem. Pensar que a familiaridade com as novas ferramentas de comunicação produza per se tecnologia educacional é, no mínimo, uma visão mágica.

Sunday, December 03, 2006

Usos estruturados da Web em educação

A sugestão genérica "vá pesquisar na Internet" geralmente resulta em corte-e-cola que se tornou uma praga em todos os níveis de ensino. E há um resultado pior que a geração de milhões de páginas sem qualquer originalidade ou elaboração pessoal dos alunos. Tal resultado, nem sempre percebido pelos educadores, é o entendimento de que achar textos na Internet e copiá-los aos pedaços é 'pesquisa'.
Uma das maneiras de superar o problema é utilizar estratégias de usos estruturados da internet em educação. Dois exemplos de usos estruturados da internet para fins educacionais são as WebQuests e as WebGincanas. Recentemente organizei algumas reflexões sobre princípios que orientam essas duas opções de trabalho. Quem me deu a oportunidade de sintetizar minhas considerações sobre a matéria foi o Professor Eziquiel Menta da EscolaBR, a partir de convite para que eu preparasse conversa com a comunidade Proinfo num seminário virtual que ele (Eziquiel) organizou.
Quem quiser ouvir a minha fala sobre o assunto e ver o roteiro Power Point que utilizei pode encontrar todo o material no Podcast EscolaBR. Vou apreciar muito possíveis comentários e criticas.